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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

1° Capitulo: Magia interior

Era um dia quente em Londres, para um outono que estava se mostrando muito frio ultimamente. Muitas pessoas passeavam pelo Richmond Park, aproveitando o raro sol daquela manhã.
Entre todas aquelas pessoas, duas meninas andavam de bicicleta, uma ao lado da outra.
-Queria passar no Winkworth Arboretum antes de acabar as férias, os jardins estão mais coloridos que nunca. – dizia uma das meninas, Alina, que tinha cabelos curtos e claros, olhos castanhos escuros, sua pele levemente bronzeada e com rosto meigo.
-Eu queria muito ir também, tem muitas flores que só florescem nessa época do ano. – disse a outra garota, Kathelyn, que tinha cabelos longos, lisos e castanhos claros, pele bem branca e olhos azuis safira.
Conversavam, enquanto os pneus das bicicletas rolavam distraidamente.
-Vou pedir para minha mãe me levar lá esse final de semana – dialogava Alina com a amiga.
-Legal! Vê se eu posso ir junto com vcs, Yui tem trabalhado bastante a atarde também, e ela não quer eu vá sozinha para esses lugares movimentados – pediu kathelyn. Yui era sua madrinha, com quem morava desde que era um bebe.
-sério? Que estranho, minha mãe fala exatamente ao contrário, para eu sempre estar em lugares movimentados, que é menos perigoso.
-é, eu também não entendo o ponto de vista dela. – kathelyn realmente nunca compreendeu o porquê de sua madrinha recear a multidão.
-Bem, eu vou indo então amiga, tenho almoço na casa dos meus primos chatos, nos vemos anoite na casa da Belly? – disse Alina, já virando sua bicicleta para direcionar seu caminho para a saída de Richmond Park.
-nos vemos sim! Até mais. – acenou kathelyn para amiga que acenava se afastando gradualmente.
Pondo-se a pedalar para casa, ziguezagueava entre as arvores altas e firmes do parque. Quando um pequeno pássaro de repente passou com um rasante por ela. Kathelyn perdeu o controle da bicicleta pelo susto, e não conseguindo desviar de uma das arvores, iria bater de frente com o tronco forte e grosso. Apertando os olhos e se preparando para o impacto, imaginou firmemente poder desviar da arvore, assim não precisaria fazer um curativo no nariz, e se por sorte, só o nariz fosse quebrado.
Cerrando os dentes e apertando os olhos, Kathelyn pode ver a arvore se dissolver na sua frente, como se deixasse passar, e voltar ao normal quando já estava do outro lado. Brecando por reflexo, parou atônita de costas, com os olhos arregalados. Ainda tremula, virou se gradualmente para olhar se havia realmente uma arvore ali, ou se também havia a imaginado. Infelizmente, lá estava o tronco forte e grosso da arvore alta e amarelada pelas folhas secas do outono.
-impossível. – gaguejou ao falar.
Olhando em volta, tentou ver se alguém também havia visto esse fenômeno sobrenatural, mas não havia ninguém por perto, apenas uma mulher que corria ao lado da ciclovia, totalmente absorta em seu cronometro e em seu fone de ouvido.
Assustada, forçou seu corpo a se movimentar e pedalar o mais rápido possível até em casa.
Felizmente, depois de algumas quadras de distancia, já estava em sua casa. Largou a bicicleta do lado da garagem, e entrou correndo, batendo a porta da frente.
Já dentro de casa, podia sentir pelo menos um pouco mais de segurança e alivio. Certificou-se que estava sozinha em casa, olhando pelos cômodos, e... Trancando cada janela e porta possível.
Foi ao seu quarto e respirou fundo, ainda tentando tomar folego.
-Isso está começando a ficar estranho demais. – disse a menina passando a mão no cabelo.
Foi até sua cama e logo pegou seu diário para relatar a experiência, o que sempre costumava fazer com tudo que acontecia, parecia ter uma necessidade de relatar as coisas, parecia importante que o fizesse.
Ao escrever, foi tomada por um sono estranho, mas que logo a fez soltar a caneta e cair dormindo em seu travesseiro. Mas logo começou a se virar de um lado para o outro, estava tendo um pesadelo:

Estava sozinha em um vilarejo que parecia habitado, por ter casas e PUBs, mas a nevoa muito densa, a impedia de ver qualquer coisa, menos, em especial, uma casa abandonada ao longe separada do vilarejo por uma cerca de arames e madeira. A casa estava com suas janelas quebradas, madeiras podres, todas as telhas caindo, com certeza abandonada.
Ela ficou olhando a casa, absorta.
De repente, sentiu um frio repentino e a cerca que dividia a casa e o vilarejo se congelou quase que instantaneamente. Kathelyn recuou assustada, mas logo algo ainda pior chamou sua atenção para a casa novamente: aos montes e por todos os lados, homens (se é que eram humanos) com capas negras esfarrapadas, encapuzados, flutuavam rapidamente, indo em sua direção. Paralisada de medo, pode ainda ver que todos os encapuzados recuaram e se voltaram para a porta da frente da casa velha, como se prestassem atenção a algo importante e logo, pela porta da frente, saiu um homem branco como toda aquela nevoa que ainda nublava o lugar, também vestido de uma capa preta esfarrapada e com olhos profundos e tenebrosos. Tomando a frente do exército, ele também se dirigia até kathelyn.
A garota tentava correr, mas suas pernas não a obedeciam e seu coração batia desesperado, dificultando qualquer tipo de ação. Logo, o tal homem branco atravessou a cerca de arames facilmente, como se ela não estivesse lá, simplesmente se dissolveu quando ele passou, exatamente como havia acontecido com a arvore que ela iria bater naquele dia. Ele estava a encarando agora, frente a frente, rodeado pelo seu exercito de encapuzados flutuantes, que a faziam ter os piores pensamentos e sentir os arrepios mais doloridos de todos. Ele encostou em seu rosto, e foi como se tudo de bom no mundo houvesse sumido e a dor, as lagrimas e o desespero tomassem conta de cada célula de seu corpo. Ele sorriu maliciosamente, mostrando dentes amarelados e pontudos.
De repente, um clarão de luz branca surgiu no meio da névoa. Os seres encapuzados foram instantaneamente repelidos pela luz e se dispersaram na nevoa. O homem branco se afastou um pouco de kathelyn e ela parecia poder respirar de novo sem ele tão perto dela. Ele se ergueu contra a luz.
-Tolo! Sempre agindo como herói, mas não passa de um tolo fraco... – dizia ele a plenos pulmões, mas a luz não cessava, não se intimidou. Ele insistia gritando e, apertando os olhos, kathelyn pode ver que a forte luz branca e serena, tinha a forma de um perfeita de um...Cervo.
O clarão de luz só crescia e o homem apenas gritou de revolta e sumiu pelo céu em uma fumaça negra.
Depois de ele ter recuado, a luz cessou gradualmente e atrás dela, kathelyn pode ver um menino, de porte médio, se aproximar devagar dela. Ainda não conseguindo se movimentar, suas pernas finalmente cederam e ela caiu no chão sentada, tremendo. A nevoa foi se dissipando e com o garoto agora na sua frente, ela pode ver seus olhos verdes, cabelos pretos e uma cicatriz em forma de um raio na testa. Ele estendeu a mão para kathelyn, sorrindo, ajudando-a levantar. Ela pegou em sua mão quente e se levantou retribuiu o sorriso. Ela arfava tentando tomar ar.
-Obrigado, muito obrigado mesmo, você veio bem na hora e... Obrigado. – disse ela, respirando com dificuldade, mas tentando sorrir.
Ele a olhou por um tempo e ainda sorrindo e disse:
-Nos vemos em breve. – e virando-se, desapareceu.
Ela arregalou os olhos.
-Espera, quem é vc? Quem eram eles, porque...


Kathelyn abriu os olhos levantando-se rapidamente da cama, derrubando seu diário no chão. Suava e estava com muito frio, mas sim, aparentemente, ela havia sonhado.
Ela debruçou-se na cama e logo depois abaixou a cabeça pensativa, já havia acontecido coisas estranhas demais para um dia só.
Logo a noite começou a invadir o céu. A lua tomava seu lugar quando Yui, madrinha de kathelyn, voltou para casa. Ela entrou e colocou a bolsa em cima do sofá, tirando o relógio e passando a mão pelos cabelos curtos e loiros, os prendendo com um pequeno elástico e indo até seu quarto, viu que a luz do quarto da afilhada estava acesa.
-Kathelyn...? – chamou Yui antes de entrar pela porta.
-estou aqui Yui – respondeu kathelyn com uma voz sonolenta e fraca.
Yui franziu a testa e entrou pela porta.
-boa noite! O que faz em casa? Achei que fosse fazer a noite do terror na casa da Belly com suas amigas.
-Eu ia, mas liguei para elas e disse que não estava me sentindo muito bem, ai fiquei em casa. – respondeu a afilhada, com desanimado.
-está se sentindo mal mesmo, ou foi apenas uma desculpa porque não queria ir? – perguntou Yui, um tanto preocupada.
-Ambas as coisas, eu acho. – respondeu kathelyn, respirando fundo e olhando agora para sua madrinha.
-O que aconteceu?
-Esse é o problema, não é o que aconteceu, é o que tem acontecido Yui.
Yui recuou a cabeça sem entender, e logo pegou a cadeira que ficava ao lado da mesa de estudo do quarto da garota, e a colocou bem a frente da cama de kathelyn, onde a garota estava toda enrolada em cobertores, parecendo estar estranhamento com frio, pois o dia em si estava quente e a casa era aquecida.
-Está me deixando preocupada, o que aconteceu? – disse a madrinha, com um olhar analítico e um tanto assustando.
-Tem acontecido algumas coisas estranhas comigo ultimamente, são coisas tão anormais que achei que estivesse ficando louca, quem sabe esteja mesmo – começou a garota, tentando usar um pouco de humor, mas a madrinha ainda continuava vidrada, esperando a resposta para sua pergunta. –hoje... fui até o Richmond park, como tinha dito para vc, e me encontrei com a Alina lá. Estávamos conversando e quando estava indo embora... eu quase bati em uma arvore. –tentando entender a anormalidade nesse fato, Yui concordou com a cabeça e pareceu tomar folego para dizer alguma coisa, mas não conseguiu pensar em nada. –mas eu bati na verdade na arvore, mas... ela... mas ela simplesmente, desviou-se de mim. – contou kathelyn tentando ao máximo deixar a historia o mais normal possível.
-a arvore desviou de vc quando ia bater nela? – perguntou Yui, tentando formular um sentido possível para essa confissão.
-exatamente! Ela... Desapareceu em uma fração de segundos e me deixou passar... sei que não faz sentido algum, mas é verdade. – disse kathelyn contando com toda a sinceridade que conseguiu.
Yui não expressou nenhuma reação, apenas perguntou:
-Quer ir ao Doutor Gordon amanhã?
-Não, isso não tem nada a ver com minha doença Yui.
Kathelyn foi diagnosticada com epilepsia desde de criança, então toda as anormalidades que ocorriam ela acreditava que viam dessas convulsões em seu cérebro. Na verdade, mais Yui do que ela própria.
Yui apenas contraiu os lábios e respirou fundo.
-Se tivesse só sido dessa vez que aconteceu algo assim, mas essa já é a segunda, terceira vez eu acho. – continuo ela, agora tomando coragem e revelando alguns segredos antigos para sua madrinha.
-segunda, terceira vez? – disse a mulher com a voz calma.
-sim! A ultima vez foi antes das férias de verão, quando a Lizzie, aquela chata que sempre me enche o saco sabe? – Yui concordou com a cabeça. –Quando ela estava me chateando sobre alguma coisa que não lembro agora, e fiquei com muita raiva dela, e quando ela abriu o armário, todos os livros, cadernos, espelhos e esmaltes caíram em cima dela, do nada! – disse kathelyn se sentindo uma doida colocando tudo em palavras,
-Isso aconteceu no dia que vc teve que vir para casa porque teve um ataque no laboratório? – perguntou Yui duvidosa.
-S-Sim, foi, mas aquilo não foi bem um ataque, eu só fiquei tonta e isso aconteceu bem antes de eu ir para o laboratório. – kathelyn tentava justificar sua verdade.
-Bem, vc se lembra do que o Dr. Gordon disse, que alguns dos ataques podem ter alguns reflexos no cérebro antes de realmente acontecerem, e essa Lizzie deve ter deixado as coisas bagunçadas em seu armário, por isso que caíram quando ela abriu. – disse Yui despreocupada.
-tá, mas e a arvore de hoje? – insistiu a garota.
-Deve ter sido exatamente um desses reflexos repentinos, vc sabe como funciona, tem essas coisas a anos.
Kathelyn cerrou os olhos e suspirou, sabia que não teria como convencer Yui. Se não tivesse acontecido com ela, ela também não acreditaria.
-tá... certo.
-Vou pedir o jantar, quer algo em especial? – perguntou Yui levantando-se da cadeira e indo até a porta.
-vc escolhe hoje. – respondeu a garota, dando um sorriso.
-tudo bem. – e fechou a porta do quarto.
Yui ficou com a mão na maçaneta por um tempo, refletindo sobre a confissão da afilhada.
-Daqui a pouco essa ‘doença’ não vai justificar mais nada. – disse ela, suspirando e indo em direção à cozinha.
Kathelyn queria contar sobre o sonho também, mas do que adiantaria, a desculpa sempre seria essa idiotice medica, que ela nunca viu nenhum sentido. Enrolou-se mais ainda no cobertor e afundou o rosto no travesseiro.
A comida chegou rápido. As duas comeram silenciosamente, até Yui pigarrear para tentar puxar algum assunto qualquer.
-Vai fazer alguma coisa amanha?
-Hm... acho que não. – respondeu kathelyn sem dar importância, ainda pensando no sonho.
Yui suspirou:
-querida, não se preocupe com o que aconteceu, sabe que isso é normal para quem tem esse tipo de doença. – disse olhando maternalmente para garota que cutucava a comida já fria.
-Não é a doença Yui, não foi coisa do meu cérebro, foi real, eu vi perfeitamente. – respondeu, sua voz ficando um tanto mais forte.
-Bem, vamos ver o Dr. Gordon e ele tira essa duvida para vc. – disse a mulher voltando a comer.
Kathelyn ergueu-se rapidamente da cadeira e bateu na mesa com força.
-EU NÃO TENHO DUVIDA YUI! Não tenho duvida do que eu vi, tenho é mais duvida dessa doença idiota que parece servir de pretexto para tudo! Eu sei o que eu vi, e nenhuma consulta no medico vai mudar isso! – gritou kathelyn sem parar, fazendo Yui se assustar e recuar na cadeira. Bateu novamente com força na mesa e saiu em um pulo, andando (quase correndo) para seu quarto. Seus olhos estavam começando a se encher de lagrimas.
Bateu a porta estrondosamente e ficou encostada nela, cerrando os punhos e os dentes.
As lagrimas de raiva já rolavam livremente.