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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

1° cap: Magia Interior

Era um dia quente em Londres, para um outono que estava se mostrando muito frio ultimamente. Muitas pessoas passeavam pelo Richmond Park, aproveitando o raro sol daquela manhã.
Entre todas aquelas pessoas, duas meninas andavam de bicicleta, uma ao lado da outra.
-Queria passar no Winkworth Arboretum antes de acabar as férias, os jardins estão mais coloridos que nunca. – dizia uma das meninas, Alina, que tinha cabelos curtos e claros, olhos castanhos escuros, sua pele levemente bronzeada e com rosto meigo.
-Eu queria muito ir também, tem muitas flores que só florescem nessa época do ano. – disse a outra garota, Kathelyn, que tinha cabelos longos, lisos e castanhos claros, pele bem branca e olhos azuis safira.
Conversavam, enquanto os pneus das bicicletas rolavam distraidamente.
-Vou pedir para minha mãe me levar lá esse final de semana – dialogava Alina com a amiga.
-Legal! Vê se eu posso ir junto com vcs, Yui tem trabalhado bastante a atarde também, e ela não quer eu vá sozinha para esses lugares movimentados – pediu kathelyn. Yui era sua madrinha, com quem morava desde que era um bebe.
-sério? Que estranho, minha mãe fala exatamente ao contrário, para eu sempre estar em lugares movimentados, que é menos perigoso.
-é, eu também não entendo o ponto de vista dela. – kathelyn realmente nunca compreendeu o porquê de sua madrinha recear a multidão.
-Bem, eu vou indo então amiga, tenho almoço na casa dos meus primos chatos, nos vemos anoite na casa da Belly? – disse Alina, já virando sua bicicleta para direcionar seu caminho para a saída de Richmond Park.
-nos vemos sim! Até mais. – acenou kathelyn para amiga que acenava se afastando gradualmente.
Pondo-se a pedalar para casa, ziguezagueava entre as arvores altas e firmes do parque. Quando um pequeno pássaro de repente passou com um rasante por ela. Kathelyn perdeu o controle da bicicleta pelo susto, e não conseguindo desviar de uma das arvores, iria bater de frente com o tronco forte e grosso. Apertando os olhos e se preparando para o impacto, imaginou firmemente poder desviar da arvore, assim não precisaria fazer um curativo no nariz, e se por sorte, só o nariz fosse quebrado.
Cerrando os dentes e apertando os olhos, Kathelyn pode ver a arvore se dissolver na sua frente, como se deixasse passar, e voltar ao normal quando já estava do outro lado. Brecando por reflexo, parou atônita de costas, com os olhos arregalados. Ainda tremula, virou se gradualmente para olhar se havia realmente uma arvore ali, ou se também havia a imaginado. Infelizmente, lá estava o tronco forte e grosso da arvore alta e amarelada pelas folhas secas do outono.
-impossível. – gaguejou ao falar.
Olhando em volta, tentou ver se alguém também havia visto esse fenômeno sobrenatural, mas não havia ninguém por perto, apenas uma mulher que corria ao lado da ciclovia, totalmente absorta em seu cronometro e em seu fone de ouvido.
Assustada, forçou seu corpo a se movimentar e pedalar o mais rápido possível até em casa.
Felizmente, depois de algumas quadras de distancia, já estava em sua casa. Largou a bicicleta do lado da garagem, e entrou correndo, batendo a porta da frente.
Já dentro de casa, podia sentir pelo menos um pouco mais de segurança e alivio. Certificou-se que estava sozinha em casa, olhando pelos cômodos, e... Trancando cada janela e porta possível.
Foi ao seu quarto e respirou fundo, ainda tentando tomar folego.
-Isso está começando a ficar estranho demais. – disse a menina passando a mão no cabelo.
Foi até sua cama e logo pegou seu diário para relatar a experiência, o que sempre costumava fazer com tudo que acontecia, parecia ter uma necessidade de relatar as coisas, parecia importante que o fizesse.
Ao escrever, foi tomada por um sono estranho, mas que logo a fez soltar a caneta e cair dormindo em seu travesseiro. Mas logo começou a se virar de um lado para o outro, estava tendo um pesadelo:

Estava sozinha em um vilarejo que parecia habitado, por ter casas e PUBs, mas a nevoa muito densa, a impedia de ver qualquer coisa, menos, em especial, uma casa abandonada ao longe separada do vilarejo por uma cerca de arames e madeira. A casa estava com suas janelas quebradas, madeiras podres, todas as telhas caindo, com certeza abandonada.
Ela ficou olhando a casa, absorta.
De repente, sentiu um frio repentino e a cerca que dividia a casa e o vilarejo se congelou quase que instantaneamente. Kathelyn recuou assustada, mas logo algo ainda pior chamou sua atenção para a casa novamente: aos montes e por todos os lados, homens (se é que eram humanos) com capas negras esfarrapadas, encapuzados, flutuavam rapidamente, indo em sua direção. Paralisada de medo, pode ainda ver que todos os encapuzados recuaram e se voltaram para a porta da frente da casa velha, como se prestassem atenção a algo importante e logo, pela porta da frente, saiu um homem branco como toda aquela nevoa que ainda nublava o lugar, também vestido de uma capa preta esfarrapada e com olhos profundos e tenebrosos. Tomando a frente do exército, ele também se dirigia até kathelyn.
A garota tentava correr, mas suas pernas não a obedeciam e seu coração batia desesperado, dificultando qualquer tipo de ação. Logo, o tal homem branco atravessou a cerca de arames facilmente, como se ela não estivesse lá, simplesmente se dissolveu quando ele passou, exatamente como havia acontecido com a arvore que ela iria bater naquele dia. Ele estava a encarando agora, frente a frente, rodeado pelo seu exercito de encapuzados flutuantes, que a faziam ter os piores pensamentos e sentir os arrepios mais doloridos de todos. Ele encostou em seu rosto, e foi como se tudo de bom no mundo houvesse sumido e a dor, as lagrimas e o desespero tomassem conta de cada célula de seu corpo. Ele sorriu maliciosamente, mostrando dentes amarelados e pontudos.
De repente, um clarão de luz branca surgiu no meio da névoa. Os seres encapuzados foram instantaneamente repelidos pela luz e se dispersaram na nevoa. O homem branco se afastou um pouco de kathelyn e ela parecia poder respirar de novo sem ele tão perto dela. Ele se ergueu contra a luz.
-Tolo! Sempre agindo como herói, mas não passa de um tolo fraco... – dizia ele a plenos pulmões, mas a luz não cessava, não se intimidou. Ele insistia gritando e, apertando os olhos, kathelyn pode ver que a forte luz branca e serena, tinha a forma de um perfeita de um...Cervo.
O clarão de luz só crescia e o homem apenas gritou de revolta e sumiu pelo céu em uma fumaça negra.
Depois de ele ter recuado, a luz cessou gradualmente e atrás dela, kathelyn pode ver um menino, de porte médio, se aproximar devagar dela. Ainda não conseguindo se movimentar, suas pernas finalmente cederam e ela caiu no chão sentada, tremendo. A nevoa foi se dissipando e com o garoto agora na sua frente, ela pode ver seus olhos verdes, cabelos pretos e uma cicatriz em forma de um raio na testa. Ele estendeu a mão para kathelyn, sorrindo, ajudando-a levantar. Ela pegou em sua mão quente e se levantou retribuiu o sorriso. Ela arfava tentando tomar ar.
-Obrigado, muito obrigado mesmo, você veio bem na hora e... Obrigado. – disse ela, respirando com dificuldade, mas tentando sorrir.
Ele a olhou por um tempo e ainda sorrindo e disse:
-Nos vemos em breve. – e virando-se, desapareceu.
Ela arregalou os olhos.
-Espera, quem é vc? Quem eram eles, porque...


Kathelyn abriu os olhos levantando-se rapidamente da cama, derrubando seu diário no chão. Suava e estava com muito frio, mas sim, aparentemente, ela havia sonhado.

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